8.3c ONDAS NOS VENTOS DE OESTE

        É importante lembrar que o jato polar faz parte dos ventos de oeste. O jato descreve como o núcleo mais rápido dos ventos de oeste se desloca. Estudos dos mapas de nível superior revelam que os ventos de oeste seguem percursos ondulados que podem ter grandes comprimentos de onda. As ondas mais longas, chamadas ondas de Rossby, tem comprimentos de 4000 a 6000 km, de modo que três a seis ondas circulam a Terra (Fig. 8.7). As ondas de Rossby caracterizam os ventos de oeste acima de 500 mb, pois abaixo deste nível as ondas são distorcidas um pouco pelo atrito e pela topografia da Terra. Embora o ar flua para leste ao longo deste percurso ondulado, estas ondas longas tendem a permanecer na mesma posição ou a mover-se lentamente. Além das ondas de Rossby, há ondas mais curtas na média e alta troposfera, superpostas sobre as ondas de Rossby. Estas ondas mais curtas são freqüentemente associadas com ciclones na superfície e, como estes, essas ondas se deslocam de oeste para leste em torno do globo com velocidades de até 15° de longitude por dia.

Fig. 8.7 - Em ar superior, na média e alta troposfera, os ventos de oeste apresentam uma trajetória ondulada, de cristas e cavados.

        Para entender melhor esta corrente ondulada, vamos examinar um mapa de ar superior, que apresenta um mapa de isolinhas de altura da superfície de 500 mb. Na realidade, existe uma relação linear simples entre estas isolinhas e isóbaras, de modo que elas dão uma indicação da variação de pressão (Fig. 8.8). Isolinhas de maior valor indicam pressões maiores. Note que a altura da superfície de 500 mb decresce para o pólo, como foi mencionado anteriormente.

Fig. 8.8 - Carta simplificada das isolinhas de altura da superfície de 500 mb. Note a posição da crista (alta) e do cavado (baixa)

        Este fato concorda com a direção oeste do vento, se ele é aproximadamente geostrófico (o que é verdadeiro nos trechos mais retilíneos; nas curvas temos vento gradiente, que segue a direção do geostrófico, paralelamente às isóbaras ou isolinhas de altura). O vento é aproximadamente paralelo às isolinhas, com velocidade proporcional ao espaçamento entre elas (que indica o gradiente de pressão). Note o padrão ondulatório das linhas. Embora este mapa esteja abaixo da altitude do centro do jato, a posição do jato em 500 mb pode ser estimada das velocidades dos ventos (está à direita da baixa pressão).

        As ondas nos ventos de oeste tem papel importante no transporte de calor entre latitudes mais baixas e mais altas. Quando estudamos a circulação média global, vimos que, embora o vento tenha algum componente meridional junto ao equador, na maioria das latitudes a média era quase zonal, por causa da força de Coriolis.

        Na figura 8.8 a área sombreada representa ar frio que é limitado pela frente polar ao sul. Pode-se ver também que a frente polar é deslocada com a corrente ondulada do jato. Deve-se lembrar que os ventos e gradiente de temperatura na superfície serão um pouco diferentes daqueles em altitude. Observe que onde o jato se desvia para o equador é produzida uma baixa (ou um cavado), que permite que o ar frio se mova para o sul. Por outro lado, um desvio em direção ao pólo produz uma crista de alta pressão que conduz ar mais quente para o pólo. (No HS a configuração seria simétrica). Observe também que de um lado de uma onda, ar quente é dirigido para o pólo, enquanto do outro lado ar frio é dirigido para o equador. Assim, a configuração ondulatória dos ventos fornece um importante mecanismo para transferência de calor através das latitudes médias. Em adição, ciclones e anticiclones ajudam na redistribuição de energia. Imagine a circulação horária em torno de um ciclone no HS; a parte leste leva ar quente para sul enquanto a parte oeste leva ar frio para o equador.

Próximo Tópico: Questões de Revisão
Tópico Anterior: Correntes de Jato