6.1a ORVALHO E GEADA

        Orvalho e geada são conseqüência, primariamente, do resfriamento radiativo noturno. À noite, um objeto sobre a superfície da Terra emite radiação terrestre (infravermelha) para a atmosfera e eventualmente para o espaço, e portanto o objeto se resfria. Ao mesmo tempo, a atmosfera emite radiação terrestre de volta para a Terra, onde uma parte é absorvida pelo objeto, que então se aquece. Numa noite com céu limpo (mínimo "efeito estufa") e calma (sem convecção), o objeto emite mais radiação que recebe da atmosfera. Consequentemente, a superfície do objeto torna-se mais fria que o ar adjacente e resfria este ar. Com resfriamento suficiente, o ar adjacente torna-se saturado. Se o ar está acima do ponto de congelamento, o vapor díágua pode condensar-se sobre o objeto como orvalho; se a temperatura do ar está abaixo da temperatura de congelamento, o vapor díágua pode depositar-se como geada. Note-se que orvalho e geada não são formas de precipitação, porque eles não "caem" das nuvens, mas se desenvolvem no lugar, sobre superfícies expostas. Um fenômeno similar ocorre quando gotículas de água aparecem no lado externo de um copo com água gelada.

        A temperatura até a qual o ar deve ser resfriado, com pressão constante, para atingir a saturação (em relação à água líquida), é chamada ponto de orvalho. O ponto de orvalho dá uma medida do conteúdo de vapor díágua no ar. Quanto mais alto, maior a concentração de vapor díágua no ar.

        Quando o resfriamento produz saturação na temperatura de 0° C ou menores, a temperatura é chamada ponto de geada. O vapor díágua se deposita como geada sobre uma superfície cuja temperatura esteja abaixo do ponto de geada.

        Quando não ocorre nem advecção fria nem advecção quente, o ponto de orvalho (ou ponto de geada) pode ser usado para prever a temperatura mínima da manhã seguinte. A base física para esta regra está no fato de que, com o resfriamento radiativo noturno, a temperatura cai continuamente até que a umidade relativa chega aos 100% e ocorra condensação ou deposição. O calor latente liberado durante um ou outro processo compensa o resfriamento radiativo aproximadamente, de modo que a temperatura do ar tende a se estabilizar próximo ao ponto de orvalho ou ponto de geada. Vários outros fatores, contudo, podem complicar esta regra simples. Por exemplo, noites de verão podem ser muito curtas para que o resfriamento radiativo seja suficiente para diminuir a temperatura do ar ao ponto de orvalho, particularmente se o ar está muito seco.

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